Borbulhas e mulheres…

Mulher espumante

Difícil encontrar uma mulher que não esboce um sorriso após o primeiro gole de uma borbulhante e dourada taça de um bom espumante. Parecem feitos um para o outro, já que ambos costumam exalar delicadeza e personalidade marcante, elegância e alguma doçura. Falando nisso, é fato que as mulheres hoje buscam muito mais do que “um vinho mais docinho”, quando brindam com espumantes. Sou prova, durante os cursos que coordeno, de que a maioria delas prefere as versões mais secas e estruturadas, do tipo Brut ou Nature, com pouquíssimo açúcar residual. E muitas elegem os roses, geralmente com um toque a mais da uva tinta Pinot Noir, como os seus prediletos.  E como disse uma grande mulher divinopolitana, Adélia Prado, “mulher é desdobrável”. O espumante é. Boa parte deles pode abrir e fechar um jantar, como um personagem de muitas facetas: aperitivo, coadjuvante de vários pratos inclusive carnes e como vinho de sobremesa, equalizando doces com sua acidez natural.

A versatilidade desta bebida milenar, descoberta meio por acaso no século XVII pelo Abade beneditino Don Perignon, também está nas origens e estilos. Numa breve tournée, citamos primeiramente o mais famoso e conceituado entre todos: o Champagne, chamado assim por só ser produzido na região de mesmo nome, no norte da França. E sem dúvida, não é só fama. Os champagnes, sempre feitos pelo método tradicional, ou champegnoise, em que uma segunda fermentação ocorre na garrafa, são a máxima expressão deste estilo de vinho, de elaboração difícil, cara e demorada.  Na Itália, são 3 tipos mais badalados: O Prosseco, feito com a uva de mesmo nome, é leve, tem bolhas maiores e mais curtas e é bom como aperitivo. O Asti, mais adocicado, e o Franciacorta, outra grande experiência sensorial, rico e complexo em sabores e aromas. O Cava espanhol, feito geralmente com uvas locais Macabeo, Parellada e Xarel-lo, muitas vezes tem aromas mais esfumaçados e de pêssegos, final longo e levemente amargo. E dentre muitos outros, o Brasil vem merecendo destaque na fabricação deste tipo de vinho, aqui batizado oficialmente de Espumante, que representa quase 70% da produção nacional de vinhos de qualidade. Feitos principalmente à base da uva branca de origem francesa Chardonnay, no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e também à beira do Rio São Francisco, em Pernambuco, num projeto internacional de produção irrigada iniciada nos anos 90. Os melhores exemplares são frutados, com bom equilíbrio entre acidez e doçura e final longo.  Algumas marcas de referência são Cave Geisse, Vallontano, Dal Pizzol, Salton, Chandon do Brasil, Villagio Grando, Quinta da Neve, Pericó, Casa Valduga, Ponto Nero, Garibaldi…

Mas voltando à degustação e às mulheres: um brinde a ambas, com o vinho da celebração, do romance e da amizade. Apesar dos clichês e idiotices televisivas como a tal Val de Mulheres Ricas, os espumantes já deixaram de ser vistos pelas pessoas mais antenadas como símbolo de esnobismo, mas sim como uma bebida descontraída, que valoriza qualquer encontro. São leves, saudáveis, bonitos de se ver e deliciosos de se beber, por mulheres e homens, com a devida moderação, é claro.

 Legenda Anùncio do Chapagne Taittinger