Primeiro Merlot branco brasileiro

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“Garimpar” é uma das manias mais gostosas do ser humano. Sebos de discos e livros,  locadoras de filmes, sites …e é claro…vinhos.   Nós sempre podemos encontrar uma novidade que nos seduza como a um adoslecente ávido por novidades.  Nesta semana, andei garimpando e provando  uns vinhos…digamos “diferentes”. Um deles foi o primeiro Merlot brasileiro vinificado em branco, do qual foram feitas apenas 4000 garrafas. Trata-se de mais uma inovação da vinícola Dúnamis, de Dom Pedrito, na fronteira com o Uruguay. O método para vinificar um “Blanc de noir”, este não é novidade e consiste-se basicamente em separar o “mosto flor” ou suco das uvas imediatamente do contato com as cascas tintas, para não haver a transferência dos pigmentos de cor.  A diferença aqui talvez esteja na maturação e colheita das uvas, conduzida de forma a preservar mais acidez assim com nas uvas brancas . O resultado? Um vinho com corpo aveludado, que enche a boca, com maior estrutura do que um branco leve e um leve traço adstringente, provavelmente porque a leve e rápida prensagem foi feita sem desengace, ou seja, com os cachos completos, e nos  engaços há taninos. O nariz é digamos, curioso, de frutas brancas. Lembra um tinto, principalmente a Merlot brasileira, de aromas bem frutados, mas não se parece com nada entre os brancos mais conhecidos.  Mas isso só depois de você já saber que se trata de um Merlot. Inclusive em degustação às cegas entre especialistas, quando do lançamento do vinho, sem esta informação prévia, praticamente ninguém acertou sua origem. Descontraído, como a proposta desta jovem vinícola que posiciona este produto como um “vinho de balada” dentro da coleção batizada de “Shall we dance?” É  bem seco e com boa acidez, podendo combinar com uma grande variedade de pratos. Provamos com bacalhau ao forno, e ele não fez feio, escoltou bem.