Minha Viagem – Onde mora o condor…e o Malbec: Mendoza, Argentina.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Recentemente estive na região de Mendoza, entre os departamentos de Luan de Cuyo e Maipú, onde são produzidos cerca de 75% dos vinhos de qualidade da Argentina, para fazer um curso de Formação Vitivinícola pelo Wine Institute.

No programa, muitas visitas técnicas a vinícolas de todos os estilos e tamanhos, desde as artesanais chamadas bodegas “boutique”, até empresas que produzem centenas de milhares de garrafas por ano.

Entre uma degustação e outra, sempre à vista a imponente Cordilheira dos Andes, emoldurando a paisagem ensolarada. (Apesar de que, em alguns momentos, choveu, fato raro nesta época do ano que acabou por prejudicar a colheita das uvas para vinificação).

A capital, que tem o mesmo nome da província: Mendoza, é uma simpática cidade de porte médio, com cerca de 120.000 habitantes, cara de interior, muitas praças e parques enormes, bem cuidados e com muito verde, apesar do clima semi árido, quase desértico. O segredo é a água abundante (ainda) vinda do constante degelo dos Andes e direcionada através de engenhosos canais que cortam toda a cidade.

Além da importante produção de vinho e azeite, a economia da região se baseia também no refino de petróleo e no turismo, que além da enogastronomia, oferece esportes radicais de contato com a natureza, como o rafiting nas corredeiras dos rios, montanhismo, cavalgadas e esqui na neve.

Mas como a minha missão alí era outra, as aventuras foram mesmo entre adegas e restaurantes. Devido ao número constante de turistas, Mendoza tem uma grande variedade de cardápios internacionais, mas com o esperado destaque nas tradicionais parillas de carnes argentinas, par perfeito para o vinho emblemático do país, o Malbec.

Galeto, bom demais.

Mais uma vez, foram os imigrantes italianos, estas figuras sempre presentes em nosso imaginário estomacal, que trouxeram esta iguaria para o Brasil, lá pelos anos 30. Ou pelo menos adaptaram por aqui, a “passarinhada” de lá, trocando os passarinhos por frangos abatidos no 1º mês de nascidos. Das colônias do sul, o “Galeto” ganhou o Brasil, com diversos acompanhamentos, como saladas várias, arroz à grega ou com amêndoas e farofa, massas, polentas fritas, até sopa de capeletti, uma deliciosa opção para os dias mais menos quentes.

Coluna 117

Existem Galeterias por todo o país, mas nas cidades de São Paulo e principalmente no Rio são uma verdadeira instituição gastronômica, desde as mais simples, com aquela cara simpática de botequim carioca (azulejos de 2 cores, mesinhas de madeira, um longo balcão e muito bate papo…), até as mais sofisticadas. Em BH, há por exemplo o tradicionalíssimo Galeto Itália, com 21 anos de funcionamento na Savassi. E a mais nova especializada do ramo, a descolada L’Esperto, no Funcionários. Por aqui, o prato costuma entrar e sair de alguns cardápios e infelizmente hoje, não tenho notícia de onde encontrá-lo, o último de que me lembro foi na casa que antecedeu ao atual Gibs, não sei se mantiveram.

Mas a melhor galeteria do mundo pode ser na sua casa. O prato é leve, saboroso, fácil de preparar e combina muito com uma cerveja Lager/Pilsner, se acompanhada de uma farofinha ou fritas. Já no vinho, as combinações possíveis são todas, dependendo do acompanhamento, da temperatura e do seu palpite na hora “H”. Pode ser um tinto mais leve, como Merlot ou Tempranillo, se for escoltado por um arroz à grega, farofa de bacon ou um capeletti ensopado. Um branco mais estruturado ou um rosado, se for acompanhado de massa leve ou polenta.

A principal dica é o tempero, por isso o ideal é marinar os bichinhos com pelo menos 6 horas de antecedência. Pode ser com vinho branco seco, ervas finas, pimenta do reino, lima ou limão siciliano, alho e cebola. Depois, se tiver um braseiro, é o ideal para conservar o sabor dos condimentos. Mas se não, vamos de forno pré-aquecido a 200 graus, metade do tempo coberto com papel alumínio, metade sem, com uma boa lambuzada de manteiga, sopa creme de cebola (aquelas de saquinho) e um pouco de shoyo, para dar aquela dourada, o que deve acontecer depois de cerca de 45 minutos.

Sugestão de acompanhamento: um “Fettuccine al Limone, muito fácil, rápido, leve, gostoso. Para 2 pessoas: 500g de fettuccine grano duro, 200 ml de creme de leite (de preferência fresco) 2 colheres de sopa de manteiga, 2 iguais de parmesão ralado na hora. 1 limão-siciliano, pimenta-do-reino branca e sal a gosto.

Preparo

Coluna 117

Cozinhe a massa em água fervente com sal e escorra. Numa panela grande, em fogo moderado, derreta a manteiga e misture com o suco e as raspas do limão rapidamente. Cuidado para não raspar a parte branca, muito azeda. Acrescente o creme de leite e deixe reduzir, mexendo sempre. Tempere com sal e pimenta. Desligue o fogo e misture a massa. Finalize com o queijo parmesão. Ecco!

Sugestão de harmonização: Um branco aromático, vivo e macio.

Terrazas Torrontes Reserva (Argentina), ou Viu Manent Chardonnay Reserva Estate Colletion (Chile), ou Sauvignon Blanc Evolución Reserva Casa Donoso (Chile).