De Rabos, Galos e Coquetéis

“Quem sabe experimentar, deixa de beber vinhos e passa a provar segredos” Salvador Dali

cocktails

Alta madrugada…o bebum chega tropeçando ao balcão desgastado, que o separa do infeliz proprietário daquele estabelecimento pouco recomendável. Soturno, o botequeiro parece uma estátua, portando o indefectível paninho encardido no ombro e o palito pendido no canto da boca. O freguês fixa aqueles olhos vermelhos, pigarreia e delicadamente faz o pedido: _O Senhor poderia me servir um “cocktail” por gentileza?  

Improvável, mas etimologicamente correto. Cocktail, em inglês, quer dizer literalmente “Rabo de Galo”. O mesmo nome aqui no Brasil daquela prosaica bebida servida num copo americano contendo até a metade um líquido ruivo, composto de metade cachaça (em geral da pior espécie), metade vermoute Cinzano. Talvez uma associação entre a cor avermelhada e brilhante comum às penas do galo, semelhante à da beberagem, a razão desta associação. E não adianta disfarçar, o homem com a menor aspiração boêmia e hoje com mais de 30, a tem no currículo.

Mas quando se pensa simplesmente em cocktail, não é uma prosaica bebida que nos vêm à mente e sim uma “chique” mistura mais elaborada, símbolo de status, bonita de se ver e gostosa de beber. Sem a careta que costuma acompanhar o exemplo do parágrafo anterior, que é claro, até tem o seu digamos…charme rústico.

Mas a provável origem do termo vem dos E.U.A, mais precisamente das rinhas de galo comuns no início do século XX no Mississípi e não tem nada de glamouroso. Dizem que o dono do galo perdedor sempre era obrigado a pagar um drink ao vencedor, o qual costumava se exibir aos presentes mexendo a bebida com uma pena do rabo de seu galo.

Logo em seguida veio a Lei Seca americana, e o costume de se misturar praticamente “qualquer coisa” que pudesse disfarçar o cheiro e o sabor das bebidas alcóolicas clandestinas, popularizou os cocktails.

Neste ano de Copa do Mundo no Brasil, uma cena é bastante previsível: milhares de turistas de bochechas vermelhas empunhando o coquetel ícone nacional: a caipirinha.

Seguem algumas breves alquimias de coquetéis bastante apreciados.

Clericot: um tipo de sangria francesa perfeita para o verão, rica em sabores.

Ingredientes: 375 ml de vinho branco seco de qualidade. 60 ml de licor de laranja (Contreau). 60 ml de conhaque do bom (Presida não). 100 ml de soda limonada. Licchia, morango e abacaxi a gosto. Açúcar ou adoçante à gosto.

Preparo: Ponha as frutas picadas numa jarra. Adicione açúcar ou adoçante, bastante gelo, as bebidas e por último a soda. Mexa e sirva!

Negroni: um clássico criado em Milão. Simples e cheio de personalidade.

Ingredientes:1 parte de Campari.1 parte de gim.1 parte de vermouth tinto.

Preparo: Num copo médio com gelo, junte os ingredientes e decore com uma fatia de laranja.

Mojito: diz a lenda que foi criado pelo almirante e aventureiro inglês Francis Drake, próximo às ilhas do Caribe. Muito aromático e refrescante.

Ingredientes: 10 folhas frescas de hortelã. 1/2 limão, cortado em 4 gomos.2 colheres (sopa) de açúcar. 5 ou 6 pedras de gelo. 1 dose de rum.1/2 xícara de água com gás ou soda limonada.

Preparo: Em um copo longo coloque as folhas de hortelã e 1 gomo de limão e soque levemente. Adicione mais 2 gomos de limão e o açúcar, soque um pouco mais. Encha o copo quase até a boca com gelo. Ponha o rum sobre o gelo e complete com a água com gás ou soda.  Decore com o restante do limão.