Receita para a Copa

Copa é sinônimo de taça. Opa! Por que não acompanhar os jogos da Copa do Mundo com uma tacinha do seu vinho predileto. De receitas o Felipão anda cheio, mas vai aí mais uma, não de tática mas de forno e fogão. Dá pra finalizar nos 15 minutos do intervalo e forma tabelinha perfeita com vários estilos de vinho: um branco mais encorpado como um Chardonnay barricado ou um tinto leve como um Pinot Noir, com algum toque de madeira, que vai bem com o defumado.

Tortinhas de Costelinha Defumada com Maçã Verde (Pot Pies)  (Caderno de receitas da Wine.com)

Rendimento: 6 tortinhas – Tempo de preparo: 1 hora – Dificuldade: Média

Ingredientes:

  • 600 g de costelinha defumada desfiada
  • 150 g de bacon cortados em cubinhos
  • 2 maçãs verdes cortadas em cubinhos
  • 1 xícara (chá) de caldo de carne dissolvido na água quente
  • 1 colher (sopa) de farinha de trigo
  • 1 colher (sopa) de azeite
  • 1 colher (sopa) de salsa picada
  • Sal e pimenta do reino à gosto
  • 300 g de massa folhada semipronta
  • 1 ovo

Preparo:

Com um rolo, abra a massa folhada e corte com um copo em discos. Em uma panela, aqueça o azeite e doure o bacon. Junte a costelinha e as maçãs e cozinhe em fogo médio até ficarem macias. Acrescente o caldo e a farinha, mexendo até adquirir uma consistência cremosa. Retire do fogo e tempere com a salsa, sal e pimenta. Distribuia a mistura em pequenos potes refratários, cubra com o disco de massa folhada e pincele por cima com ovo batido. Leve ao forno médio, até dourar a massa.  Imagem

Minha Viagem – Onde mora o condor…e o Malbec: Mendoza, Argentina.

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Recentemente estive na região de Mendoza, entre os departamentos de Luan de Cuyo e Maipú, onde são produzidos cerca de 75% dos vinhos de qualidade da Argentina, para fazer um curso de Formação Vitivinícola pelo Wine Institute.

No programa, muitas visitas técnicas a vinícolas de todos os estilos e tamanhos, desde as artesanais chamadas bodegas “boutique”, até empresas que produzem centenas de milhares de garrafas por ano.

Entre uma degustação e outra, sempre à vista a imponente Cordilheira dos Andes, emoldurando a paisagem ensolarada. (Apesar de que, em alguns momentos, choveu, fato raro nesta época do ano que acabou por prejudicar a colheita das uvas para vinificação).

A capital, que tem o mesmo nome da província: Mendoza, é uma simpática cidade de porte médio, com cerca de 120.000 habitantes, cara de interior, muitas praças e parques enormes, bem cuidados e com muito verde, apesar do clima semi árido, quase desértico. O segredo é a água abundante (ainda) vinda do constante degelo dos Andes e direcionada através de engenhosos canais que cortam toda a cidade.

Além da importante produção de vinho e azeite, a economia da região se baseia também no refino de petróleo e no turismo, que além da enogastronomia, oferece esportes radicais de contato com a natureza, como o rafiting nas corredeiras dos rios, montanhismo, cavalgadas e esqui na neve.

Mas como a minha missão alí era outra, as aventuras foram mesmo entre adegas e restaurantes. Devido ao número constante de turistas, Mendoza tem uma grande variedade de cardápios internacionais, mas com o esperado destaque nas tradicionais parillas de carnes argentinas, par perfeito para o vinho emblemático do país, o Malbec.

Inimigos do vinho

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“Ouef d’une heure; pain d’un jour; vin d’um an.”

Ovo de uma hora; pão de um dia; vinho de um ano.

Antigo ditado popular francês sobre o tempo ideal na cozinha.

Existem elementos ou situações em que, sejam os degustadores enófilos experimentados ou iniciantes dedicados, a degustação do vinho sairá prejudicada, ou dela não tiraremos todo o prazer que pode nos proporcionar. E muitas vezes por isso, algumas pessoas tem falsas primeiras impressões. Senão vejamos (ou bebamos): • O fumo afeta o olfato e o paladar, diminuindo a nossa capacidade de perceber nuances mais delicadas de gostos, texturas e aromas, numa bebida leve como o vinho. Já o conhaque e um charuto são amasiados que se completam de modo muito apreciados por experts.

Aperitivos fortes, de alto teor alcoólico, como a cachaça e a tequila, reduzem bastante a sensibilidade das nossa papilas gustativas e por conseguinte a nossa capacidade de perceber as sutilezas do vinho, em especial dos brancos.

O vinagre se mistura e ao mesmo tempo se sobressai ao vinho, tornando tudo mais ácido.

Taças coloridas ou de metal, impedem uma prazerosa análise visual da cor, brilho e limpidez. É como comer no escuro.

• Perfumes acentuados dominam o ambiente e minimizam a possibilidade do reconhecimento dos incontáveis aromas dos vinhos, outro aspecto importante da apreciação completa.

Um ambiente quente, acima dos 27°C, não é convidativo para os vinhos, sobretudo os tintos, mas sim para uma cerveja gelada.

Comidas apimentadas em excesso, irritam nossa língua e a torna menos suscetível a degustar os sabores do vinho.

E por último mas não por fim, as más companhias, que com efeito tornam a celebração e o ato de dividir um bom vinho, um enfado.

Cardápio Bíblico

Tá no Antigo Testamento, em Levítico, Capítulo 11:

“Falou o Senhor a Moisés e a Arão, dizendo-lhes: Dizei aos filhos de Israel: Estes são os animais que podereis comer dentre todos os animais que há sobre a terra:… todo o que tem a unha fendida, de sorte que se divide em duas, o que rumina, esse podereis comer. Os seguintes, contudo, não comereis… O camelo, porque rumina, mas não tem a unha fendida, esse vos será imundo…a lebre, porque rumina mas não tem a unha fendida, essa vos será imunda; e o porco, porque tem a unha fendida, de sorte que se divide em duas, mas não rumina, esse vos será imundo…

…Tudo o que não tem barbatanas nem escamas, nas águas, será para vós abominável. Dentre as aves, a estas abominareis; não se comerão… a águia, o açor, o falcão ,o corvo, o avestruz, o mocho, a gaivota, o gavião…o abutre, a cegonha, a garça segundo a sua, espécie, a poupa e o morcego…

…Todos os insetos alados que andam sobre quatro pés, serão para vós uma abominação… Contudo, estes há que podereis comer de todos os insetos alados que andam sobre quatro pés: os que têm pernas sobre os seus pés, para saltar com elas sobre a terra; isto é, deles podereis comer os seguintes: o gafanhoto segundo a sua espécie, o grilo e a locusta*…”

*inseto da família dos gafanhotos.

Por via das dúvidas…eu vou de pão e vinho, obrigado.

A Ceia em Emaús

Legal demais da conta

queijo do serro

Desde agosto do ano passado, após décadas de luta dos produtores, teve fim uma contradição, sobre uma tradição orgulhosamente nossa: o queijo artesanal mineiro, ao mesmo tempo Patrimônio Cultural Brasileiro, mas proibido de circular fora das Minas Gerais. Isso até então, por causa de leis sanitárias anacrônicas elaboradas na década de 50 e é claro, pela pressão lobística dos grandes laticínios. Feitos a partir do leite cru, como os melhores queijos da Europa apreciados em todo o mundo (inclusive no Brasil), nossos famosos representantes do Serro, da Serra da Canastra e da Serra do Salitre/Alto Paranaíba, finalmente deixaram de ser contrabandeados por uma complexa rede de tráfico envolvendo atravessadores que compravam o queijo nas fazendas, falsificavam seus rótulos e os transportavam ilegalmente pelas fronteiras, para abastecer legalmente as mesas de ávidos consumidores em todo o país. E depois de mais de 300 anos de história da fabricação e degustação do produto, o que sempre foi bom para o mineiro, agora é bom e legal para o Brasil.

Um dos corresponsáveis por esta boa notícia é um divinopolitano, o premiado cineasta Helvécio Ratton. Ele roteirizou e dirigiu uma delícia de documentário “poético e político”, como ele mesmo define, chamado simplesmente de “O Mineiro e o Queijo”, onde denuncia as contradições de leis que, entre outras coisas, impunha períodos de tempo absurdos de até 90 dias para a maturação dos queijos, teoria ultrapassada e baseada em países de climas frios. No nosso clima, como explicam técnicos e produtores no filme, após 90 dias o queijo vira “uma pedra”.

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A clandestinidade possibilitava a mistura de queijos de altíssima qualidade a queijos ordinários e isto sim não era bom para a saúde do consumidor nem para a imagem do queijo brasileiro. Já a flexibilização na venda do produto foi liberada após a criação de dois centros de maturação, importante para evitar contaminações, o que facilitou a vida de cerca de 30 mil famílias de pequenos e médios produtores locais, sem estrutura para atender as exigências sanitárias. E pra quem ainda acha que o queijo artesanal bem curado faz mal, é bom relembrar um dos trechos da entrevista que o Seu Zé Mário, 67 anos, produtor do mais premiado e famoso queijo da Serra da Canastra, concedeu em Dezembro último à Isabela Assumpção (Globo Repórter), a quem “confessa” seu luxo: sempre uma pinguinha no fim da tarde, com um pedacinho de queijo.

_Nunca tomei remédio.

_Como nunca, pra nada?

_Pra nada.

_Nem uma dor de cabeça? Dor de barriga, nada? Nunca engoliu um comprimido?

_Não

_Injeção?

_Não, “Nossenhora”!

zé mário

 

De Rabos, Galos e Coquetéis

“Quem sabe experimentar, deixa de beber vinhos e passa a provar segredos” Salvador Dali

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Alta madrugada…o bebum chega tropeçando ao balcão desgastado, que o separa do infeliz proprietário daquele estabelecimento pouco recomendável. Soturno, o botequeiro parece uma estátua, portando o indefectível paninho encardido no ombro e o palito pendido no canto da boca. O freguês fixa aqueles olhos vermelhos, pigarreia e delicadamente faz o pedido: _O Senhor poderia me servir um “cocktail” por gentileza?  

Improvável, mas etimologicamente correto. Cocktail, em inglês, quer dizer literalmente “Rabo de Galo”. O mesmo nome aqui no Brasil daquela prosaica bebida servida num copo americano contendo até a metade um líquido ruivo, composto de metade cachaça (em geral da pior espécie), metade vermoute Cinzano. Talvez uma associação entre a cor avermelhada e brilhante comum às penas do galo, semelhante à da beberagem, a razão desta associação. E não adianta disfarçar, o homem com a menor aspiração boêmia e hoje com mais de 30, a tem no currículo.

Mas quando se pensa simplesmente em cocktail, não é uma prosaica bebida que nos vêm à mente e sim uma “chique” mistura mais elaborada, símbolo de status, bonita de se ver e gostosa de beber. Sem a careta que costuma acompanhar o exemplo do parágrafo anterior, que é claro, até tem o seu digamos…charme rústico.

Mas a provável origem do termo vem dos E.U.A, mais precisamente das rinhas de galo comuns no início do século XX no Mississípi e não tem nada de glamouroso. Dizem que o dono do galo perdedor sempre era obrigado a pagar um drink ao vencedor, o qual costumava se exibir aos presentes mexendo a bebida com uma pena do rabo de seu galo.

Logo em seguida veio a Lei Seca americana, e o costume de se misturar praticamente “qualquer coisa” que pudesse disfarçar o cheiro e o sabor das bebidas alcóolicas clandestinas, popularizou os cocktails.

Neste ano de Copa do Mundo no Brasil, uma cena é bastante previsível: milhares de turistas de bochechas vermelhas empunhando o coquetel ícone nacional: a caipirinha.

Seguem algumas breves alquimias de coquetéis bastante apreciados.

Clericot: um tipo de sangria francesa perfeita para o verão, rica em sabores.

Ingredientes: 375 ml de vinho branco seco de qualidade. 60 ml de licor de laranja (Contreau). 60 ml de conhaque do bom (Presida não). 100 ml de soda limonada. Licchia, morango e abacaxi a gosto. Açúcar ou adoçante à gosto.

Preparo: Ponha as frutas picadas numa jarra. Adicione açúcar ou adoçante, bastante gelo, as bebidas e por último a soda. Mexa e sirva!

Negroni: um clássico criado em Milão. Simples e cheio de personalidade.

Ingredientes:1 parte de Campari.1 parte de gim.1 parte de vermouth tinto.

Preparo: Num copo médio com gelo, junte os ingredientes e decore com uma fatia de laranja.

Mojito: diz a lenda que foi criado pelo almirante e aventureiro inglês Francis Drake, próximo às ilhas do Caribe. Muito aromático e refrescante.

Ingredientes: 10 folhas frescas de hortelã. 1/2 limão, cortado em 4 gomos.2 colheres (sopa) de açúcar. 5 ou 6 pedras de gelo. 1 dose de rum.1/2 xícara de água com gás ou soda limonada.

Preparo: Em um copo longo coloque as folhas de hortelã e 1 gomo de limão e soque levemente. Adicione mais 2 gomos de limão e o açúcar, soque um pouco mais. Encha o copo quase até a boca com gelo. Ponha o rum sobre o gelo e complete com a água com gás ou soda.  Decore com o restante do limão.

Receita do Amigo

O Conhecimento e a educação sensorial apurada podem obter do vinho prazeres infinitos.” ERNEST HEMINGWAY (Death in the Afternoon)

Bacalhau na Brasa por Robervan Faria

bacalhau Robervan

Ingredientes para 4 pessoas

  • 4 postas de lombo de bacalhau
  • 1/2 litro de leite.
  • 2 xícaras de azeite.
  • 100 g de manteiga.
  • ½ limão siciliano, 1 colher de azeite balsâmico.
  • 1 cebola descascada e 03 cebolas cortadas em rodelas finas.
  • 1 folha de louro, 1 ramo de salsa.
  • Sal, pimenta do reino, tempero pronto Fondor Grill, tomilho e sálvia a gosto.
  • 1 alho inteiro, sementes de nigela e lemon pepper.
  • 4 batatas médias, 1 pimentão vermelho e 1 amarelo assados para acompanhar.

Preparo:

Cubra as postas de bacalhau com leite e leve em fogo alto, deixando ferver rapidamente. Retire e lave em água fria, enxugando com papel absorvente. Coloque as postas sobre a grelha da churrasqueira com o carvão já em brasas (não muito alta, pois o preparo é delicado e paciente). Vá virando com cuidado, sem deixá-las queimar.

Acrescente na brasa: os pimentões inteiros e com casca, mais a cabeça de alho embrulhada numa trouxinha de papel alumínio temperado com Fondor Grill, pimenta do reino, azeite de oliva e tomilho.

Leve ao fogo médio uma panela com água, sal, pimenta do reino, tomilho e sálvia picados, a cebola descascada cortada ao meio, o louro e meio ramo de salsa. Em outra panela, cozinhe as batatas em água e sal, corte em rodelas grossas e salteie na manteiga. Numa frigideira, junte o azeite, as cebolas em rodelas, o alho fatiado e o restante da salsa. Frite rapidamente e reduza o fogo.

Finalização:

Mergulhe as postas assadas na panela de água fervente com os temperos, por 05 minutos. Retire e mergulhe-as imediatamente no azeite por 15 minutos. Sirva as postas assadas regadas com o azeite, salsa e cebolas da fritura. Acompanhe com as batatas cozidas, acrescentando sobre elas as sementes de nigela e lemon pepper. Descasque e corte em fatias finas os pimentões assados e esfriados, tempere com limão siciliano, azeite balsâmico e pimenta do reino. Junte a cabeça de alho temperada.

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Sugestão de harmonização : Esta receita é uma constelação de aromas e sabores, com  muitos temperos. A grande sacada é justamente saber juntá-los com talento, intuição e uma dose de prudência. Um vinho branco igualmente aromático e com acidez viva para contrabalançar a gordura do azeite, que seja refrescante para acompanhar este prato de beira de piscina e ainda tenha estrutura para fazer frente a tantas especiarias. Para selar a harmonização cultural, um bom vinho verde Português, levemente frisante, vai muito bem. Também um espumante bem seco. Pode ser um brasileiro, de método champegnoise ou tradicional (com dupla fermentação),  um Cava espanhol, com notas cítricas que irão combinar muito com os toques de limão da receita Ou é claro, um Champagne francês de textura bem cremosa e com muitas borbulhas para lavar o palato. Fotos vinhos

Dicas da coluna: A Nigella ou Kalonji são sementinhas pretas e secas, de visual parecido com o gergelim e sabor levemente apimentado. São muito usadas na cozinha Indiana e Turca e não muito fáceis de encontrar. Já o Lemon Pepper é um tempero que dá um toque cítrico delicioso à peixes, frangos, frutos do mar. Os comprados prontos podem incluir sal, pimenta do reino preta, alho, cebola, cúrcuma, óleo vegetal, ácido cítrico e aroma de limão. Mas você pode fazer facilmente um caseiro sensacional para estocar e presentear os amigos.

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Siga a receita:

Ingredientes

  • 12 limões sicilianos
  • Pimenta do reino preta
  • Sal conforme abaixo

 Preparo

  1. Limpe bem e rale a casca dos limões. Cuidado para não atingir a parte branca, muito amarga.
  2. Misture pimenta a gosto
  3. Espalhe a mistura em um tabuleiro com papel manteiga e leve ao forno baixo por 1 hora, ou até observar que está desidratado, sequinho, sem queimar.

Passe a mistura em um processador, acrescentando a mesma quantidade de sal.

Dicas de compras para seus vinhos no Réveillon

As altas do dólar iniciadas há alguns meses atrás, podem estar se refletindo nos preços de vinhos e espumantes, já que os estoques dos atacadistas e varejistas vem sendo agora renovados. Além disso, existe o natural aquecimento da demanda por estes produtos, nesta época. Mas como no meio do ano houve uma estocagem de produtos estrangeiros mais alta que de costume, por causa de rumores sobre aumento de tarifas de importação, convém procurar bem, ainda existem boas promoções, em plena véspera de Réveillon.

Além dos vinhos dos países vizinhos, é bom prestar atenção nos rótulos de Espanha, Portugal e Itália, que estão colocando no mercado exemplares com preços mais baixos, para ajudar a driblar suas crises econômicas.

Outra dica é sobre a safra, que é o ano da colheita. No Réveillon, os brancos e espumantes são tradição e acompanham bem a maioria dos pratos típicos da ocasião. Mas, é bom lembrar que ambos são vinhos para serem bebidos jovens, com todo o frescor que os caracteriza, exceção a alguns exemplares feitos espacialmente para evoluir com o tempo, caso de Champagnes Milesime, de safras únicas, ou de brancos “tranquilos” estagiados em madeira. Evite portanto, brancos e espumantes com mais de 4 anos (o ano de safra, mais 3), principalmente se as garrafas estiverem próximas a muita incidência de luz ou calor.

Alguns rótulos podem conter a palavra “Reserva”, o que não significa automaticamente que o vinho é de qualidade superior, mas que pode ter estagiado algum tempo em barricas de madeira, ou é procedente dos melhores vinhedos da vinícola. Na América do Sul, não existe uma legislação quanto a este tempo nem ao uso desta expressão, assim somente as empresas mais conceituadas a usam com responsabilidade. Outras nem tanto, somente para fisgar consumidores incautos. Se a inscrição for simplesmente “Reservado”, a segunda hipótese é a mais provável.

Já na Espanha, a legislação determina que, para ter a palavra “Reserva” no rótulo, o vinho precisa ficar por pelo menos 12 meses em barricas de carvalho e ainda, mais 2 anos na garrafa antes de ir ao mercado. Já um “Gran Reserva” deve passar pelo menos 18 meses em carvalho, e mais 3 anos na garrafa, antes de começar a ser distribuído. Na Itália, a palavra “Riserva” significa que o vinho foi envelhecido por pelo menos 3 anos. Os Barolos, Barbarescos ou Brunellos di Montalcino, devem obedecer um período mínimo de amadurecimento, entre barrica e garrafa, de 5 anos.

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Tipos de vinhos e seus pratos

BRANCO – Chardonnay e Sauvignon Blanc são as uvas mais conhecidas. Irão bem com peixes, carnes brancas, frutos do mar, dos queijos leves e saladas.

TINTO – As principais uvas tintas são Cabernet Sauvignon, Merlot, Tempranillo, Syrah, Pinot Noir, Malbec e Carmenère. Em geral, harmonizam com carne vermelha, risotos, massas e queijos.

ROSÉ – Muitas vezes feitos com as mesmas castas acima. O resultado é um vinho flexível, que vai bem com carnes brancas, peixes, frutos do mar, saladas e petiscos.

ESPUMANTE – O tipo mais “coringa”. Os classificados como Brut, combinam bem com carnes de caça, frangos e perus, peixes, ensopados, frutos do mar, castanhas, petiscos em geral, queijos médios e curados, saladas e até sobremesas leves à base de frutas.

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“O vinho e a música sempre foram para mim um magnífico saca-rolhas!”

Anton Tchekhov

Galeto, bom demais.

Mais uma vez, foram os imigrantes italianos, estas figuras sempre presentes em nosso imaginário estomacal, que trouxeram esta iguaria para o Brasil, lá pelos anos 30. Ou pelo menos adaptaram por aqui, a “passarinhada” de lá, trocando os passarinhos por frangos abatidos no 1º mês de nascidos. Das colônias do sul, o “Galeto” ganhou o Brasil, com diversos acompanhamentos, como saladas várias, arroz à grega ou com amêndoas e farofa, massas, polentas fritas, até sopa de capeletti, uma deliciosa opção para os dias mais menos quentes.

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Existem Galeterias por todo o país, mas nas cidades de São Paulo e principalmente no Rio são uma verdadeira instituição gastronômica, desde as mais simples, com aquela cara simpática de botequim carioca (azulejos de 2 cores, mesinhas de madeira, um longo balcão e muito bate papo…), até as mais sofisticadas. Em BH, há por exemplo o tradicionalíssimo Galeto Itália, com 21 anos de funcionamento na Savassi. E a mais nova especializada do ramo, a descolada L’Esperto, no Funcionários. Por aqui, o prato costuma entrar e sair de alguns cardápios e infelizmente hoje, não tenho notícia de onde encontrá-lo, o último de que me lembro foi na casa que antecedeu ao atual Gibs, não sei se mantiveram.

Mas a melhor galeteria do mundo pode ser na sua casa. O prato é leve, saboroso, fácil de preparar e combina muito com uma cerveja Lager/Pilsner, se acompanhada de uma farofinha ou fritas. Já no vinho, as combinações possíveis são todas, dependendo do acompanhamento, da temperatura e do seu palpite na hora “H”. Pode ser um tinto mais leve, como Merlot ou Tempranillo, se for escoltado por um arroz à grega, farofa de bacon ou um capeletti ensopado. Um branco mais estruturado ou um rosado, se for acompanhado de massa leve ou polenta.

A principal dica é o tempero, por isso o ideal é marinar os bichinhos com pelo menos 6 horas de antecedência. Pode ser com vinho branco seco, ervas finas, pimenta do reino, lima ou limão siciliano, alho e cebola. Depois, se tiver um braseiro, é o ideal para conservar o sabor dos condimentos. Mas se não, vamos de forno pré-aquecido a 200 graus, metade do tempo coberto com papel alumínio, metade sem, com uma boa lambuzada de manteiga, sopa creme de cebola (aquelas de saquinho) e um pouco de shoyo, para dar aquela dourada, o que deve acontecer depois de cerca de 45 minutos.

Sugestão de acompanhamento: um “Fettuccine al Limone, muito fácil, rápido, leve, gostoso. Para 2 pessoas: 500g de fettuccine grano duro, 200 ml de creme de leite (de preferência fresco) 2 colheres de sopa de manteiga, 2 iguais de parmesão ralado na hora. 1 limão-siciliano, pimenta-do-reino branca e sal a gosto.

Preparo

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Cozinhe a massa em água fervente com sal e escorra. Numa panela grande, em fogo moderado, derreta a manteiga e misture com o suco e as raspas do limão rapidamente. Cuidado para não raspar a parte branca, muito azeda. Acrescente o creme de leite e deixe reduzir, mexendo sempre. Tempere com sal e pimenta. Desligue o fogo e misture a massa. Finalize com o queijo parmesão. Ecco!

Sugestão de harmonização: Um branco aromático, vivo e macio.

Terrazas Torrontes Reserva (Argentina), ou Viu Manent Chardonnay Reserva Estate Colletion (Chile), ou Sauvignon Blanc Evolución Reserva Casa Donoso (Chile).

Borbulhas do Brasil

“É um péssimo cozinheiro aquele que não pode lamber os próprios dedos”

 William Shakespeare

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O Brasil foi destaque na 11ª edição do Concurso Effervescents Du Monde, realizado em novembro na cidade francesa de Dijon, famosa pela mostarda. Entre 600 amostras de 28 países, 11 espumantes brasileiros foram premiados.

Lista Top 10

Zanotto Espumante Brut – Vinícola Campestre

Medalha de Ouro

Miolo Cuvée Tradition Brut Rosé – Miolo Wine Group

Zanotto Espumante Brut – Vinícola Campestre

Medalha de Prata

Aracuri Espumante Brut Chardonnay – Aracuri Vinhos Finos

Aurora Espumante Chardonnay Brut – Cooperativa Vinícola Aurora

Bueno Cuvée Prestige Brut – Miolo Wine Group

Garibaldi Espumante Moscatel – Cooperativa Vinícola Garibaldi

Luiz Argenta Espumante Brut Rosé –  Luiz Argenta Vinhos Finos

Lunar Espumante Prosecco Brut – Famiglia Zanlorenzi

Marcus James Espumante Brut – Cooperativa Vinícola Aurora

Peterlongo Espumante Moscatel Presence – Vinícola Armando Peterlongo

Só neste ano, já são nove países que reconheceram a qualidade dos vinhos e espumante do Brasil. A Espanha, tradicional produtor do espumante que mais se vende no mundo o “Cava”. No Concurso Internacional de Vinhos e Espirituosos – CINVE 2013, 5 rótulos de espumantes brasileiros e 1 de vinho foram premiados, entre 600 amostras de 16 países produtores.

Grande Medalha de Ouro

Marcus James Espumante Brut – Cooperativa Vinícola Aurora

Medalha de Ouro

Casa Valduga Espumante Moscatel 2012 – Casa Valduga Vinhos Finos

Medalha de Prata

Aurora Espumante Chardonnay – Cooperativa Vinícola Aurora Aurora

Aurora Reserva Merlot 2011 – Cooperativa Vinícola Aurora

Casa Valduga Reserva Espumante Brut 2010 – Casa Valduga Vinhos Finos

Lunar Oro Espumante Brut 2012 – Famiglia Zanlorenzi

Vale conferir o custo benefício, pois a maioria dos rótulos premiados nos 2 concursos custa entre 25 e  45 reais.

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Mas afinal, o que define um bom espumante?

Acima de tudo, o seu paladar, de acordo com os seus parâmetros de gosto. Mas existem algumas características básicas, desejáveis em todos os estilos possíveis deste vinho, que pode ter 2 métodos de fermentação: o tradicional, ou champegnoise, com a 2ª fermentação em garrafa, antes de sair para o mercado. E o Charmat, com a(s) fermentações ocorrendo em tanques de aço.

Riqueza aromática: o segundo passo da degustação (o 1º é o visual), nos influencia muito no paladar

Frescor: que vem de uma acidez presente, mas sempre equilibrada com a doçura.

Bolhas pequenas, abundantes e persistentes: são indicativos de uma fermentação bem sucedida

Volume de boca e persistência gustativa: aquela “cremosidade” e um final longo de sabor na boca, mesmo após engolir a bebida, são características de espumantes bem elaborados e estruturados.

Parabéns!

Na última 5ª feira, mais uma turma de dedicados winelovers se aprofundaram um pouco mais na cultura da enogastronomia, em nosso Curso “O Fascinante Mundo do Vinho”. Além de tópicos como seleção, compra e guarda, serviço do vinho e harmonização com comidas, houve a degustação orientada de 8 rótulos de vários estilos e 6 países diferentes.

7a turma de vinhos

Da esquerda para direita, de cima para baixo:
Elizabeth Sichieri e Amado Gripp Jr, Edneide Gomes, Rejane Vasques, Adriane Faria, Sérgio Ferrazzoli, Shirley Menezes e Vicent Bolina.
Keyla Couy, Adriano Cunha, Guga Santos e Fátima Gonçalves.