Vinhos para o último (e também o primeiro) jantar do ano.

O jantar de Reveillon merece boas companhias, incluindo os vinhos, os pares ideais para esta ocasião.

Para entradas como canapés, frutas secas, nozes, castanhas, figos e damascos, a pedida é um espumante branco ou rosê com boa estrutura, de textura cremosa e bem refrescante. A recomendação é para os do tipo Brut, de paladar mais seco, portanto mais flexíveis, acompanhando também peixes como o salmão ou bacalhau de preparo mais simples, grelhados ou assados.

Os frutos do mar pedem vinhos brancos “tranquilos” (não espumantes) com alguma personalidade, como um Chardonnay maduro de regiões mais altas da Argentina ou Chile, ou se o orçamento permitir, os clássicos da Borgonha, mais elegantes e minerais. Há ainda os brancos portugueses de varias regiões, de uvas exclusivas daquele país como Fernão Pires, Jaen, Arinto e Loureiro.

Os pratos como perú ou chester, com farofas de frutas típicas, pedem um tinto de médio corpo e boa acidez, jovem e também frutado, como o Rosso di Montalcino , o “irmão mais novo” do famoso (e bem mais caro)  Brunello di Montalcino. Um Pinot Noir da Califórnia também vai muito bem.

Para carnes vermelhas e outras de sabor mais pronunciado, como o tender e o presunto, experimente tintos mais potentes, como um Cabernet Sauvignon, Syrah, Touriga Nacional, que podem vir sozinhas ou em cortes com Merlot, Tempranillo, Carmenere…

Fechando com sobremesas mais leves ou à base de frutas, os espumantes voltam à cena, agora mais doces, como os feitos com a casta Moscatel. Tortas, doces em caldas, sorvetes e mousses combinam com vinhos doces de colheita tardia. Pudins, doces com café ou achocolatados fazem par com o tradicional vinho do Porto, do tipo Ruby (mais jovem e frutado) ou Tawny (mais envelhecido e complexo)

Mitos e Verdades sobre o Vinho

ilustração artigo agosto

Assim como tantos outros temas, o vinho também está sujeito a muitas verdades absolutas que merecem uma reflexão ponderada para sua desmistificação. O objetivo é garantir a sua subjetividade como apreciador na degustação da bebida de maneira mais ampla e prazerosa, despida de preconceitos. Vamos a um breve “Wine Quiz”, com algumas dúvidas mais comuns:

 

 

Vinho quanto mais velho, melhor?

Absolutamente não. Acredita-se que hoje em dia, menos de 10% dos vinhos produzidos no mundo são realmente adequados e preparados para evoluir com o tempo em aromas e sabores. Antigamente, do contrário,  técnicas mais precárias na vinificação, como por exemplo uma prensagem e maceração das uvas menos suave e controlada,  resultava em vinhos mais “rústicos”, com muito tanino (polifenóis responsáveis pela adstringência do vinho), que necessitavam de mais tempo para “amaciar”. E quanto a ser melhor ou não, depende principalmente do gosto de cada um. Vinhos jovens (brancos até 3 anos, tintos até 5 anos em média), são mais frutados e potentes, vinhos velhos tendem a um paladar mais maduro e aveludado.

Vinho de uma uva só é superior?

Não há nenhuma razão lógica para isto. Tanto vinhos “varietais”, (de um só tipo de uva), ou “cortes” (de 2 ou mais uvas), podem ser muito apreciados, desde que corretamente vinificados. A diferença básica é que os primeiros exibirão mais fielmente a tipicidade da casta utilizada, enquanto os segundos resultarão em um estilo que une qualidades muitas vezes complementares de várias uvas, de acordo com a proposta do enólogo que faz o vinho. Variedades como a tinta Merlot, por exemplo, podem ser usadas num corte para aportar maciez e leveza ao conjunto da obra, assim como a Baga pode acrescentar mais acidez, e assim por diante.

Devemos preferir vinhos “reserva”?

Mais uma vez não. Termos como “reserva”, “reservado”, “garrafeira” (em Portugal), “Crianza” (Espanha”), presentes em muitos rótulos, significam que o vinho estagiou em barricas de madeira e/ou em garrafas, por um tempo mínimo de acordo com a legislação de seu país de origem, antes de chegar ao mercado consumidor. Aliás, em alguns países com uma legislação menos rígida, nem isso, podem ser apenas estratégias de marketing para atrair o consumidor desinformado. Assim, estas denominações não representam, por si só, garantia de qualidade, mas indica um estilo de vinho em geral mais amadeirado.

Vinho tinto se toma sempre na temperatura ambiente?

Nos países mais frios, comumente sim. No Brasil, principalmente no verão, se orienta que não. Isso porque numa temperatura ambiente superior a 20 graus centígrados, a maioria dos tintos, principalmente jovens, irá parecer mais “pesado” e alcóolico, enquanto abaixo de 10 graus, perderá muito de seus aromas e parecerá mais seco e adstringente. Nessa altura, você já deve ter concluído, a temperatura considerada ideal para que a maioria dos tintos seja degustada com o máximo de prazer, está em torno de 14 graus. Se você ainda não possui uma pequena adega climatizada, saiba que provavelmente a parte inferior da porta de sua geladeira tem em torno de 10 graus, então é só tirar o vinho tinto uns 15 minutos antes de servir.