Vamos à Feira!

Que a quantidade de pessoas interessadas por vinhos está aumentando gradativamente, é fato. Que as feiras do setor são uma boa oportunidade irresistível de provar e comparar rótulos de estilos e preços diversos, também. Pena é que quando se junta “a sede com a vontade de beber”, as condições gerais do ambiente não são as ideais para se usar bem os sentidos em favor de uma degustação minimamente focada. Cada vez mais gente ao redor das minúsculas mesas, disputando a atenção de produtores e enólogos meio atarantados em meio a tantas taças estendidas. E depois de algumas horas de evento, então, de golinho em golinho, a turma que não usa a cuspideira de jeito nenhum vai subindo o volume da voz e teima em “estacionar” em grupos, perante os vinhos mais caros, é claro. E tome exibicionismos de grogues “entendidos”. Mas e então, se deve deixar de ir às feiras de vinhos? Claro que não, afinal, como eu disse no início, muitas são simplesmente irresistíveis, como a Decanter Wine Show, evento itinerante organizado pela Decanter, uma das importadoras com o melhor portifólio do país. Então, com muita paciência e “democratismo absolutório”, fomos conferir em BH nesta última 5ª, mais esta edição, agora com o tema “Novo Mundo”. 26 produtores sérios de Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Estados Unidos, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia, trouxeram cerca de 160 vinhos, muitos apresentados pelos próprios donos ou enólogos das vinícolas, daí também o assédio natural. Provar de tudo em poucas horas é uma maratona humanamente impossível. Entre os possíveis, respeitando as dicas dos mestres Rodrigo e Cristóvão Oliveira da BeloVinho e Nelton Fagundes  da Decanter, algumas apreciações que merecem destaque, em rápidas palavras:

Brancos

África do Sul – Glen Carlou –  Quartz Stone Chardonnay 2010: Quer entender o que é afinal um vinho “mineral”, sem salada de frutas? Pois é, o nome não foi colocado à toa. Pouca obviedade, muita classe.

Argentina –  Amalaya – Amalaya Blanco 2012: Bom no preço e na taça, numa mistura interessante de Torrontes e Riesling. Sedoso, cheiroso, longo.

Austrália –Peter Lehmann – Art Series Classic Riesling 2010/2011: Nariz encantador. Leve mas marcante, com muito equilíbrio e notas minerais.

Margaret Semillon 2006: Ao melhor estilo Sauternnes, um vinho generoso, rico, com 5 anos de reserva na garrafa, e ainda assim fresco, com uma explosão de mel e damasco.

Espumantes

Brasil – Vinícola Hermann – Lírica Brut : Justifica a Medalha de Prata no Effervescents du Monde 2012, com: muito frescor, notas cítricas, e uma evolução cativante na taça, resultado de 1 ano de mosto sur lie (sobe as borras), neste corte de Chardonnay e a portuguesa Gouveio.

Argentina Luigi Bosca – Brut Nature 2011: Este produtor continua sendo referência. Este corte de 60% Chardonnay (parte barricada) e 40% de Pinot Noir, muitíssimo bem fermentado no método Tradicional, traz aromas deliciosos que me lembraram um pudim de amêndoas(!) e uma textura muito macia.

Tintos

Austrália –  Peter Lehman – Eight Songs Shiraz 2005: um Shiraz Australiano com todas as letras, maduro e potente, mas aqui com muito equilíbrio, e madeira na medida certa. Muito gastronômico.

Chile – El Principal – Memórias 2008 : Denso(15% de álcool), caloroso, pra “mastigar”, num Cabernet Sauvignon e Carmenere em 16 meses de carvalho.

Uruguai – Bouza – Tannat Parcela única A6 2009: Este mostra como a incompreendida Tannat pode ser maravilhosa quando bem cultivada e vinificada, por um especialista. Paa beber com aquela carne super especial.

Nova Zelândia – Craggy Range – Te Muna Road Pinot Noir 2009/2011: Justifica a fama. O terroir deste país para esta uva realmente faz diferença. Muito elegante.

Le Sol Syrah 2009: Já aqui pra mim uma surpresa, syrah da Nova Zelândia, e muito bom. Pra mim, porque o Bob Parker já deu 96 na safra 2007, a maior nota de um tinto naquele país. Exótico, herbáceo, diferente…e bom demais.

Com Chris Alton, da Craggy Range, a mais premiada vinícola da Nova Zelândia

Com Chris Alton, da Craggy Range, a mais premiada vinícola da Nova Zelândia

Mr. Mattew Lane, VP d Peter Lehmanm, exibe suas pérolas

Mr. Mattew Lane, VP d Peter Lehmanm, exibe suas pérolas

Chilenos da TerraNoble...

Chilenos da TerraNoble…

...e argentinos da Luigi Bosca são referências.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s