A vez e o vinho do Tejo

foto introdução

Situada no centro de Portugal e próxima a Lisboa, a região do Ribatejo, tem vocação de produção vitivinícola desde o século XIII, quando exportava para a Inglaterra até 4 navios lotados de vinhos a granel por ano. E assim permaneceu por séculos, como a maior fornecedora de vinhos sem muita expressão para o mercado interno menos exigente e colônias africanas.  Nos recentes anos 90, começou um processo de evolução da quantidade para qualidade.

Novos clones de vinhas selecionadas, produtividade controlada, prensa mecânica, estágio em madeira, troca dos velhos tanques de cimento por tanques de aço climatizados e uma nova e criativa safra de enólogos já mudaram a cara e o vinho da região. Agora rebatizada de Tejo DOC, uma denominação de Origem Controlada, com 3 regiões (Bairro, Charneca e Lezíria), onde os métodos de cultivo e vinificação são rigorosamente normatizados.

O resultado disso pude comprovar pessoalmente na última 5ª feira em Belo Horizonte, quando 14 produtores locais trouxeram mais de 100 rótulos para degustação de profissionais da imprensa especializada e todo o trade do vinho (donos de restaurantes, sommeliers, distribuidores, etc.). Uma grande variedade de castas (portuguesas ou internacionais), estilos e preços, a maioria com bom custo-benefício. Vinhos de clima ameno, portanto equilibrados e elegantes, mesmo os mais potentes. Brancos muito frutados e aromáticos, rosés intensos de extração longa e tintos, principalmente os de alta gama, acima de 60/70 reais, bem elaborados, modernos, de boa estrutura, que permitem ótimas harmonizações gastronômicas. Nas linhas mais básicas, salvo boas exceções como as da Casal Branco, Casal da Coelheira e Quinta da Lapa (que pode ser encontrada no SuperNosso em BH), nem sempre observei nos tintos as mesmas qualidades, mas uma certa rusticidade em algumas safras jovens apresentadas. Não consegui provar de tudo, é claro, mas dentre os possíveis, destaco alguns:

 Brancos:

•             Casal da Coelheira (Fernão Pires, Arinto, Verdelho): perfeito para acompanhar comidas leves no dia a dia de verão. Bem seco, fresco, limpo.

•             Casal do Conde (Viogner): Casta francesa com verdadeiro sotaque português. De muita expressão. Aromas minerais e florais diferenciados, bom corpo.

•             Fiuza IKON (Chardonnay e Trincadeira das Pratas): Faz jus à 6ª posição dada pela Whine Entusiast entre os TOP 100 de Portugal . Aromas complexos, cremoso e de longo final.

•             Quinta da Alorna Reserva (Chardonnay e Arinto): Cítrico com notas tostadas, madeira bem integrada, final de boca bem persistente, ótimo para Bacalhau.

 Rosé:

•             Quinta da Alorna (Touriga Nacional): Para quem aprecia um rosé intenso, quase um tinto clarete, este é o caso. Muita fruta vermelha e final longo.

Tintos:

•             Fiuza Premium (Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon): Aromas de frutas negras, cassis. Deliciosamente equilibrado após 8 meses de carvalho e 6 de garrafa. Um vinho para beber “meditando” pausadamente.

•             Mithus Casal da Coelheira (Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional e Touriga Franca): Outro vinho “sério”. Nariz de frutas pretas, chocolate, tostados, especiarias, que evolui na taça. Taninos presentes e elegantes. Macio, encorpado e com boa acidez.

•             Syrah/Touriga Nacional Regional Tejo Quinta da Lapa: Aromas florais e de especiarias. Corpo médio com bom volume, taninos presentes, muito gastronômico, ideal para caças e cordeiro.

Com João Silvestre, Secretário Geral da Comissão Vitivinícola do Tejo, que disse “o consumidor brasileiro evoluiu muito nos últimos anos, está mais receptivo e exigente”.

Com João Silvestre, Secretário Geral da Comissão Vitivinícola do Tejo, que disse “o consumidor brasileiro evoluiu muito nos últimos anos, está mais receptivo e exigente”.

foto 3

Presença dos enólogos da nova geração do Tejo, como Maria Alexandra Vicente, da Casal do Conde.

O crítico Márcio Oliveira conduziu com a elegância de costume uma palestra bem didática sobre a região.

O crítico Márcio Oliveira conduziu com a elegância de costume uma palestra bem didática sobre a região.

 

14 produtores trouxeram suas joias.

14 produtores trouxeram suas joias.

Vinho e Filosofia.

Vinho e Filosofia.

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