“Onde abundam as dores, brotam os licores”. Sigmund Freud

Lucas Bols

Na Idade Média, o vinho era usado como remédio para vários males. E aos poucos, os monges e alquimistas foram acrescentando raízes, frutos, folhas e ervas, que além de demonstrarem propriedades curativas, foram ganhando adeptos pelo sabor e aromas. Mas a Inquisição era contra, claro. Por volta de 1300, o médico e sábio catalão Arnaldus de Villanova só se livrou da fogueira após salvar a vida do Papa João XXI com uma poção de vinho, ervas e pepitas de ouro(!) O Santo Padre, livrou a sua cara e passou a protegê-lo.

Em 1575, o holandês Lucas Bols apresentou o primeiro licor para venda ao mercado e a marca permanece até hoje, em que os licores são símbolos de sofisticação artesanal. As garrafas em geral são verdadeiras preciosidades de coleção, e as histórias de romances, tragédias e guerras por trás dos rótulos muitas vezes contêm tantos ingredientes quanto as receitas, quase sempre segredos de família que atravessam gerações.

São produzidos pela extração de ingredientes aromatizantes em álcool neutro, mais brandy, rum ou whisky. Ervas, especiarias, cascas, frutas e nozes são usadas por meio de maceração, filtragem ou infusão. Podem ser degustados puros, em coquetéis e na preparação de vários pratos doces e salgados. O especialista Ennio Federico nos fala sobre alguns estilos e rótulos:

Licores de ervas: O Elixir de Chartreuse, produzido desde 1603, utiliza 130 flores, ervas, raízes e especiarias, preparadas pelos monges do monastério nos Alpes Franceses… Bénédictine é outro licor eclesiástico, feito pela primeira vez em 1510 por Dom Bernardo Vinvelli, no monastério de Fécamp. O espanhol Cuarenta y Tres contém 43 ervas, e o italiano Strega, 70 plantas maceradas em álcool, redestilado antes do envelhecimento em madeira e colorido com açafrão.

Licores de frutas: Iniciados na Holanda do século XVII com cascas de laranja da ilha caribenha de Curação, que dá nome ao licor. O Triple Sec e o Cointreau também utilizam cascas de laranja e outros cítricos. O mais complexo é o Grand Marnier, onde a laranja é macerada em brandy, redestilado e misturado com Cognac da apelação de Champagne, xarope de açúcar e ervas antes do envelhecimento. Outra marca conhecida é a belga Mandarine Napoleon, de tangerinas.

Licores de whisky: Usam flor de urze e outras plantas aromáticas, como coentro, cravos-da-índia, nozes, canela, gengibre e açafrão adicionados ao álcool, e depois adocicados com mel de urze. Essa prática era comum na Escócia e Inglaterra. Hoje, a tradição é mantida com o Drambuie, Glayva, Loch Fyne Liqueur e Southern Confort.

licor Baileys

Licores de sementes, nozes e amêndoas: o primeiro licor comercial foi o Kümmel, feito com sementes de alcarávia, destilado por Lucas Bols em 1575. Outros desse tipo são o Anisette, Pacharan, Anis del Mono e o Sambuca – todos de anis. De nozes e amêndoas são Amaretto, com infusão de óleo de amêndoa, o Nocino e Frangelico, de avelã, e o Malibu, de coco. Os mais conhecidos baseados em café são o Kahlúa e o Tia Maria.

Licores de creme: Apareceram no fim dos anos 70. O Bailey´s Irish Cream foi o primeiro a conjugar com sucesso creme de leite fresco com álcool e tornar o resultado um produto estável e durável, sendo hoje a marca mais vendida no mundo. Seguindo no mesmo caminho, temos o Tia Lusso e o Amarula da África do Sul, cuja base de álcool é feita da fruta da maruleira, preferida dos elefantes.

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