Ver o vinho

No ritual sensorial do vinho, o degustador ergue a taça com o nobre líquido, por vezes solene, com o olhar penetrante e ar concentrado. Contra a luz…vê, gira e revê…exatamente porque?

Em verdade vos digo: o visual do vinho nos diz muito sobre ele. E entre as 3 formas de avaliação (visual, olfativa e gustativa), esta é a primeira e mais passível de erro nas avaliações técnicas e concursos, onde a busca por algum defeito visual a ser penalizado em vinhos obviamente saudáveis é difícil, principalmente porque itens como tonalidade e concentração de cor, quase sempre são opções do enólogo que elaborou o fermentado. Mas há outros aspectos reveladores sobre a idade, a uva, o estilo, o processo de vinificação e a saúde do vinho. Nuances que o enófilo tem um silencioso prazer em tentar descobrir…e é exatamente este caráter lúdico que faz desta bebida algo mais do que somente uma bebida.

Brilho e limpidez: sugere uma acidez mais alta, ou que o vinho foi filtrado e/ou clarificado antes do engarrafamento. (A clarificação não é feita através de químicos pesados, mas somente da adição de partículas coagulantes, como gelatinas, que formam flocos no vinho já fermentado e “arrasta” consigo para o fundo do recipiente, partículas sólidas que causariam alguma turbidez)

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Tonalidade de cor nos brancos: A paleta de cores vai do marfim, quase branco, passando pelo palha esverdeado, amarelo palha, amarelo profundo e dourado. Estes tons, em relação à idade e concentração, significam paralelamente, uma evolução do mais jovem e leve ao mais velho e denso. Um branco muito esverdeado sugere alta acidez, ou um vinho feito com uvas colhidas antes de sua maturação ideal. Um bem dourado sugere o contrário: uvas supermaduras, como nos brancos de sobremesa, ou ainda que o vinho sofreu alguma oxidação, acidental ou proposital em alguns estilos. Os mais amarelados, geralmente são os que estagiam em barricas e/ou sobre as leveduras da fermentação por mais tempo (processo chamado de “sur lie”, ou sobre as borras), para ganhar complexidade aromática.

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Tonalidade de cor nos tintos: A paleta vai do violeta, passando pelo rubi, o carmim, até os tons acastanhados ou âmbar/alaranjado. Novamente aqui, respectivamente do mais jovem para o mais velho, sendo que um vinho muito alaranjado e opaco certamente já estará velho demais para o consumo. Reflexos castanhos num vinho rubi pode significar oxidação excessiva. Reflexos azulados, violáceos, característicos de um vinho jovem, indicam muita extração dos frutos na prensagem e taninos mais presentes. A concentração e densidade da cor, quanto mais escuras, observando-se aí as tonalidades próprias de cada uva, indicam uma extração e maceração prolongadas, uvas maduras e um vinho que deverá evoluir bem com o tempo. Com o passar dos anos, portanto, os tintos tendem a clarear, enquanto os brancos tendem a escurecer.

Lágrimas, pernas ou arcos: se formam nas paredes da taça, após girarmos a mesma. Quantos mais espessas e lentas ao escorrerem, mais álcool, concentração, glicerol e açúcar residual tem o vinho, branco ou tinto.

Bolhas: Nos espumantes, quanto menores as bolhas no tamanho, maiores na quantidade e mais constantes, melhor o vinho, pois estes são indicativos de um completo e cuidadoso processo fermentativo, geralmente com a segunda fermentação, que acresce mais aromas e sabores.

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