A cerveja, o Imperador, o Baixinho e o Bar do Rou.

O primeiro rótulo da cerveja que faz parte da história de Divinópolis

O primeiro rótulo da cerveja que faz parte da história de Divinópolis

O brasileiro está entre os 20 maiores consumidores de cerveja no mundo. Atrás de países como a Romênia (89 litros anuais por habitante) e até Venezuela (76 litros anuais por habitante). Ocupamos em 2012, o 17º lugar no ranking da loirinha, segunda a pesquisa feita pela empresa alemã Bath-Haas Group, com média de 62 litros por habitante, por ano. O país campeoníssimo, com 143 litros por pessoa, é a República Tcheca. Já em produção de cerveja, o Brasil está em 4º lugar, com m ais de 13 bilhões de litros produzidos em 2012, atrás apenas de China, Estados Unidos e Alemanha.

O nosso mercado interno de cervejas é dominado pelas grandes fábricas, que juntas detêm 98,2% do market share. AmBev, Brasil Kirim (Schincariol,) Cervejaria Petrópolis e Heineken, colocam no mercado basicamente cervejas do estilo Light Pilsener, uma digamos “variação” do estilo Pilsen original, por aqui mais leve e claras, de fermentação profunda e baixo teor alcoólico. Para muitos, trocando em miúdos, as nossas cervejas mais comerciais são mesmo é “mais aguadas”. Os outros 1,8% são representados pelas cervejas artesanais, que produzem os mais variados estilos, sendo Belo Horizonte uma das cidades com o maior número de pequenas fábricas, algumas com estilos e sabores muito apreciados.

Divinópolis já foi um polo internacional de cerveja, quando produziu  a primeira garrafa da marca Kaiser no mundo, em 1981. Foi quando Luiz Otávio Possas Gonçalves, engarrafador da Coca-Cola em Minas Gerais, inaugurou por aqui a 1ª fábrica de Kaiser  no país, com  uma tecnologia até então inédita: o processo de maturação e fermentação em tanques fechados, sem interferências ambientais, o que resultava em maior qualidade, com menor  consumo de energia e mão-de-obra. Na verdade, o industrial de refrigerantes decidiu entrar no mercado de cervejas para combater a “venda casada” que naquela ocasião, Brahma e Antarctica praticavam no mercado, obrigando os estabelecimentos clientes a comprar guaranás e sodas limonadas, se quisessem continuar vendendo estas que eram as marcas líderes de cervejas. Luís Otávio sempre foi um grande empreendedor, sócio do Banco Mercantil do Brasil, dono da Vale Verde, uma das melhores cachaças do Brasil, fabricada aqui pertinho, em Mateus Leme, numa belíssima fazenda aberta a visitação pública, com orquídeas e aves exóticas do mundo todo e um bom restaurante. Criador da nossa 1ª água de côco em caixinha, a Kero Côco e proprietário de vários restaurantes no estado, entre eles a nossa tradicionalíssima Cervejaria Savassi, até meados de 96.

Mas foi bem antes, e em outro saudoso templo boêmio e cinéfilo, o Bar do Rou(Berto Cruz), ou Movies Bar, na rua São Paulo, que provei, do alto de meus 18 anos incompletos, a minha primeira garrafa de Kaiser. A discussão com os amigos da hora (infelizmente não me lembro quem eram os convivas), passava pela origem da palavra/marca: Kaiser. E eu, sem Google nem nada, já sabia e lasquei orgulhoso:_” Quer dizer  “Imperador”, em alemão.”

Cerca de 6 anos depois, fui eu trabalhar na Fábrica de Kaiser e lá cheguei a ocupar  a função de Chefe do Departamento de Propaganda . Também participei algumas vezes de processos técnicos de degustação que orientavam os testes de qualidade, capitaneados então pelo químico e cervejeiro Professor Nelson Marinheiro, um simpático português que creio eu, ainda mora por aqui.

A fábrica por aqui fechou, a história da Kaiser continuou, entre altos, baixos e “baixinhos”. Lembra do tal? . Pois a marca teve como seu maior ícone publicitário o personagem “Baixinho da Kaiser”, que curiosamente foi interpretado por um eletricista de uma produtora de vídeo que atendia a agência de publicidade detentora da conta na época. O diretor de um comercial deu uma chance para o espanhol José Valien fazer uma figuração, e deu no que deu, um sucesso nacional durante quase uma década.

Depois foram vendas, fusões e variados sócios, sendo hoje um rótulo do Grupo Heineken, um dos maiores do mundo no segmento. Pois é, saudosismos me dão sede… Pensando sobre onde andará o Fofão…e o tal “Baixinho”, vou tomar uma Kaiser, porque não?

2)Por onde andará o “Baixinho”	?

2) Por onde andará o “Baixinho” ?

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