Chuva miúda, um bom papo, Quadrado & Praça Onze, feijoada & vinho…

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Há alguns dias, numa tarde chuviscosa de sábado, tive o prazer de degustar uma autêntica feijoada “baiana”, num quintal muito baiano do Quadrado Histórico de Trancoso, entre coqueiros e bananeiras, feita pela arretada “Baiana Teixeira” que nos recebeu com um sorriso daqueles que acalmam qualquer marola. Ela é filha de uma antiga parteira da vila, a Da Glória, que enquanto vivia, deu vida a mais de 300 crianças (“_sem nunca cobrar um tostão por isso”) e do Seu João Grande, que ainda é um dos “principais” do samba batucado nas festas de São Sebastião e São Braz, em frente à mítica Igrejinha Jesuíta do século 18. E isso tudo, em companhia de uma “doutora” na história e estórias do lugar, a Fernanda Carneiro, que escreveu o delicioso livro “Nativos e Biribandos – Memórias de Trancoso”. Se ler este artigo, pode até acontecer dela “chiar”: “_Mas a feijoada é carioca”…puxando não sardinha, mas lingüiça e paio para as suas origens. Mas, vamos combinar, a feijoada é um Patrimônio Brasileiro. E se foi no Rio que ela se tornou mais conhecida, isso foi graças a uma baiana, a Tia Ciata, que servia em sua casa humilde, generosas porções da iguaria em festas e cantorias. Eram os anos 20 e Donga, Sinhô, João da Baiana e outros bambas, ensaiavam os primeiros passos do legítimo Samba Carioca, no lugar que ficou conhecido como “Pequena África”, em plena Praça Onze.

Mas entre sabores e saberes, voltemos ao prato principal que une Rio, Bahia e Brasil: a suculenta, majestosa, voluptuosa feijoada. Seus gostos condimentados, o leve amargor do feijão preto, a saliente gordura das carnes… vão muitíssimo bem com uma bebida ácida e adocicada, como a tradicional caipirinha, que deve ser “Pelo Amor de Deus”, feita com uma cachaça de qualidade, nunca com uma 51 ou similar. Aliás, uma purinha, neste caso sem muita madeira, abre maravilhosamente bem os trabalhos, com aquele caldinho de feijão roubado da panela fumegante. E o vinho, reconhecidamente a bebida mais gastronômica do planeta, pode combinar com um prato de sabores tão complexos? Poooode sim, e de várias maneiras, suscetíveis à palavra final do seu gosto pessoal, este soberano. Dicas pró e contra pré testadas:

  • Os brancos tranquilos, mesmo de boa acidez, geralmente não irão funcionar, pois serão abafados pela força do prato.
  • Já os espumantes brancos e roses, assim como alguns frisantes da uva Lambrusco, preferencialmente os menos doces, cumprirão bem o heroico papel.
  • O espumante tinto (sim, eles existem, são principalmente portugueses e acompanham lá na terrinha tradicionalmente leitões assados), bebido puro pode assustar, na sua estranha combinação de borbulhas e taninos. Mas junto com o prato, pode surpreender, vira outro vinho, um amante ideal.
  • Finalmente para quem preferir um tinto mais encorpado, fuja de madeira nova em excesso. Vinhos frutados, com taninos firmes e boa acidez (fator sempre importante para contrabalançar a gordura), como um bom corte português do Dão, ou um Tannat uruguaio de bons produtores e com algum tempo de guarda (Carrau, Família Deicas, De Los Vientos, Pisano…) _”Vôte, deu bom esse menino!!!”

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