O sabor da história

Após a batalha de Marengo, no norte da Itália, em 14 de junho de 1800, Napoleão Bonaparte pediu ao seu cozinheiro, o chef Dunand, um grande jantar para comemorar o fim da batalha. O francês, com 28 mil soldados, havia conseguido derrotar 40 mil austríacos melhor armados. Uma vitória assim desperta o apetite, mas o general ouviu do chef que não tinha, tecnicamente, o necessário para um rega bofe à altura, afinal em fim de campanha, a despensa estava vazia. “Use o que tiver.” — insistiu Bonaparte, irredutível. Como quem tem juízo obedece, Dunand começou dourando pedaços de um frango com bacon numa caçarola bem quente. Depois juntou alho e tomates maduros picados. Foi acrescentando conhaque (do cantil do general) aos poucos e, deixou cozinhar por uma meia hora até reduzir o molho. Pouco antes de ficar pronto, agregou cogumelos frescos. A decoração da travessa era insólita: ovos fritos e camarões gigantes. Mas o resultado foi um sucesso. Napoleão gostou tanto da receita que a transformou numa espécie de talismã em outras campanhas, chamando de “Prato de Batalha”. E o Poulet Marengo (Frango a Marengo) tornou-se um clássico e uma lição: a despensa mais desfalcada sempre esconde possibilidades insuspeitadas.

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